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Tendões e Músculos

TENDÕES e TENDINOPATIAS

Tendinite Patelar

Acredita-se que a patologia seja causada por esforço repetitivo sobre o tendão patelar e o tendão do quadríceps, durante o stendoes_1alto. É uma lesão muito mais frequente em atletas, principalmente aqueles que participam de esportes envolvidos na desaceleração como basquete, vôlei, handebol e corrida de rua. É ocasionalmente encontrada em jogadores de futebol, e em casos raros, pode ser visto em esportes como musculação e ciclismo.

Fatores predisponentes incluem maior peso corporal, genu varo e geno valgo, ângulo Q do joelho aumentado, patela alta, diferença no comprimento dos membros inferiores, encurtamento das cadeias musculares, principalmente da posterior (isquiotibiais).

Fatores ligados ao treino incluem falta de preparo físico direcionado ao esporte, técnica inadequada e aumento súbito da intensidade e freqüência do esporte (Overtraining).

No esporte, o joelho tem função de absorver a energia cinética gerada pelo contato dos membros inferiores ao solo e transmitir o movimento aos demais seguimentos do corpo. Isto se deve a dois mecanismos básicos: a chamada contração muscular excêntrica, onde a fibra muscular contrai e alonga-se resistindo ao movimento, e aos graus de flexão. Em uma corrida, por exemplo, a força de reação ao solo, que chega a ser duas vezes ao peso do indivíduo é absorvida pela flexão do joelho entre 50 e 60 graus e pela resistência do quadríceps, ou músculo anterior da coxa. O restante é dissipado pelo quadril e coluna vertebral. A doença ocorreria da perda deste equilíbrio. De uma certa maneira, o quadríceps deixaria de absorver toda a energia cinética e o tendão patelar, sobrecarregado, sofreria micro-ruptura e degeneração.

Os pacientes relatam dor anterior do joelho, muitas vezes contínua. O início dos sintomas é insidioso. Normalmente, o envolvimento é infrapatelar ou perto do pólo inferior da patela.

Dependendo da duração dos sintomas, o joelho do saltador pode ser classificado em 4 fases, segundo Blazina:

* Fase 1 – dor apenas após a atividade, sem prejuízo funcional
* Fase 2 – dor durante e após a atividade, embora o paciente ainda é capaz de executar satisfatoriamente em seu esporte
* Fase 3 – prolongada durante e após a atividade, com a dificuldade crescente na realização de um nível satisfatório
* Fase 4 – Ruptura completa do tendão exigindo reparação cirúrgica.
O tratamento inclui programas de reabilitação, e visará:
* Modificação temporária da atividade :para diminuir as atividades que aumentam a pressão femoropatelar, por exemplo, pular ou agachar;
* Crioterapia: Aplicar gelo por 20-30 minutos, 4-6 vezes por dia, especialmente após a atividade;
* Melhoria do alongamento: incluindo (1) os flexores do quadril e joelho (isquiotibiais, gastrocnêmio, iliopsoas, reto femoral, adutores), (2), extensores de quadril e joelho (quadríceps, glúteos), (3) da banda iliotibial, e ( 4) o retináculo patelar;
* Reforço muscular: Fortalecer usando cadeia cinética fechada e exercício excêntrico;
* Avaliação isocinética: Detecção de possíveis desequilíbrios musculares através da analise do dinamômetro isocinético e tratamento dos mesmos;
* Treinamento proprioceptivo específico, pliometria e retorno programado e assistido ao esporte.

A cirurgia é reservada para os casos onde todos os outros meios falharam ou quando ocorre rotura do tendão patelar.

Quando estamos diante de um caso de tendinopatia patelar crônica e mesmo rotura do tendão patelar em pacientes não praticantes de atividades físicas, devemos considerar a presença de doenças sistêmicas como Lúpus Eritematose Sistêmico (LES), Artrite Reumatóide (AR), insuficiência renal e hiperparatireoidismo ou o uso crônico de alguns medicamentos como a principal causa da lesão.

Tendinite (ou Bursite) Pata de Gansotendoes_2

Os três músculos, Grácil, Sartório e Semitendinoso (que formam a pata de ganso) são responsáveis por cruzar as pernas, dobrar e juntar os joelhos. Portanto, o uso repetitivo nos movimentos da perna como no nado peito, chutes na bola, pancadas diretamente sobre esta área ou o giro constante do corpo com o joelho flexionado e o peso do corpo apoiado no joelho poderão provocar uma Bursite da pata de ganso, que quer dizer, inflamação da bursa.

A tendinite ou bursite da pata de ganso normalmente ocorre por excesso de uso, sobrecarga e esforço repetitivo. Assim, um estresse biomecânico provocado por um joelho valgo ou varo, pé pronado ou supinado, pode ser fator pré-disponente. Traumas diretos na região também podem provocar a lesão. Desequilíbrios musculares que ocorrem durante a evolução da Artrose do Joelho levam muito frequentemente ao desenvolvimento dessa condição.

O sintoma referido é de dor na face interna do joelho, logo abaixo da articulação, que pode ser sentida ao flexionar ou esticar a perna e, geralmente, é acompanhada de edema no local.

O tratamento visará diminuir o edema, a dor e o quadro inflamatório, podendo ser realizado através de medicamentos, gelo local, fisioterapia e acupuntura.

Com a melhora da dor, os exercícios podem ser iniciados, cuidando para minimizar o estresse sobre a bursa e os tendões.

A melhor maneira de evitar a tendinite na pata de ganso é realizar um trabalho de reforço muscular adequado visando equilibrar as forças da cadeia anterior e posterior da coxa (quadríceps e isquiotibiais), fortalecendo ambos os grupos musculares. O aquecimento muscular e articular antes de iniciar qualquer atividade física, o que inclui alongamento da musculatura posterior, interna e da parte de cima da coxa também é fundamental.

Lesão Tendão Quadrícepstendoes_3

O tendão do quadríceps conecta um conjunto de músculos localizados na região anterior da coxa ao osso da patela (joelho). Sua importância é fundamental na transmissão da força dos músculos à patela nos movimentos de extensão do joelho.

As rupturas do tendão do quadríceps são relativamente raras e geralmente são unilaterais, mas também podem aparecer simultaneamente nos dois joelhos. A verdadeira frequência com que ocorre na população de esportistas é desconhecida, mas são observadas principalmente nos indivíduos com idade superior aos 40 anos.

A capacidade de adaptação dos nossos tendões frente às cargas que recebem, é ainda motivo de investigação científica. O treinamento esportivo geralmente beneficia as qualidades e características dos nossos tendões, porém, a intensidade e a frequência com que certas cargas são aplicadas, podem ser, por vezes, perigosas e lesivas. O mecanismo típico da lesão é a contração violenta do músculo quadríceps com o pé fixo ao chão e o joelho levemente flexionado durante a aterrissagem de uma corrida ou um salto. Este mecanismo de lesão pode ocorrer, por exemplo, ao se pisar subitamente num buraco ou degrau.

Tendões doentes são vulneráveis, porém grande parte deles não geram sintomas, o que diminui a percepção do indivíduo sobre os riscos e a gravidade da lesão. A força estimada para ocorrer a ruptura é superior a 20 vezes o peso corporal, porém tal intensidade pode ser atingida em algumas modalidades esportivas, sem que ocorra qualquer alteração num indivíduo treinado. Nos atletas, cargas desproporcionalmente elevadas podem provocar rupturas. Tal fato se deve à condição genética, à biomecânica e a múltiplos fatores de adaptação ao esforço.

Pessoas sedendárias também podem sofrer rupturas nos tendões, geralmente em situações acidentais (quedas) ou quando são portadoras de doenças que modificam a resistência dos tendões. Nestas condições, a força necessária para provocar a ruptura dtendoes_4o tendão pode ser muito menor do que sua resistência original.

A ruptura do quadríceps é totalmente incapacitante, resultando na inabilidade de realizar a extensão completa do joelho. A ruptura total de um tendão geralmente é a conclusão de múltiplas microrupturas, que vão se formando durante a vida esportiva. As microlesões fazem parte do processo de degeneração que o tendão pode sofrer, fruto de má adaptação às cargas impostas durante as atividades físicas.

Os fatores de risco mais frequentes ao surgimento das rupturas do tendão do quadríceps são: obesidade, múltiplas infiltrações de antinflamatórios (corticosteróides), usuários de esteróides anabólicos, portadores de diabetes, insuficiência renal crônica, doenças reumáticas (artrite reumatóide, lúpus eritematoso sistêmico), usuários crônicos de corticosteróides, e utilização de certos antibióticos específicos. Pacientes submetidos a certas cirurgias do joelho também podem sofrer rupturas nos tendões do músculo quadríceps.

A história típica da lesão é o aparecimento de dor súbita, impossibilidade de se estender ativamente o joelho, dificuldades para ficar em pé, caminhar, além de descer escadas. Ao examinar o joelho, pode-se notar e palpar um espaço entre o músculo quadríceps e a patela, acompanhado de inchaço e hematoma. As radiografias simples avaliam a integridade da patela e os exames de ultrasom e ressonância magnética permitem a avaliação das características da ruptura (tamanho e localização) além de outras lesões associadas.

O tratamento cirúrgico precoce permite a recuperação do movimento e da força. Avanços recentes nas técnicas cirúrgicas com a utilização de enxertos para reforçar a sutura do tendão, permitem a reabilitação mais precoce dos pacientes operados.

Síndrome Atrito Trato Ílio Tibialtendoes_5

A trato íliotibial (TIT) é uma faixa de tecido fibroso que se origina na crista ilíaca e a partir dos músculos tensor da fáscia lata, glúteo máximo e médio. A inserção localiza-se na linha áspera, tíbia (tubérculo de Gerdy) e na fíbula proximal.

A síndrome do atrito do trato íliotibial é uma lesão por sobrecarga do TIT e considerada uma das causas mais frequentes de dor na região lateral do joelho do corredor. A inflamação surge na região lateral do joelho e se caracteriza por dor localizada na zona em torno do epicôndilo lateral do fêmur. Este trato sofre atrito com a parte óssea lateral do fêmur quando o joelho flete a aproximadamente 30°. A bursa representa uma extensão da membrana capsular sinovial, localizada no recesso lateral, e funciona como uma interface entre o trato íliotibial e o epicôndilo lateral do fêmur. Portanto, o movimento de flexo-extensão do joelho pode promover um atrito entre o TIT, a bursa e o epicôndilo lateral do fêmur.

Entre os corredores, até 12 % apresentam essa Síndrome ao menos uma vez durante a atividade esportiva e, portanto, é chamada também de “joelho do corredor”.

A dor é o sintoma mais frequente e localiza-se na face lateral do joelho, 2 a 3 cm acima da linha articular. O início da dor se manifesta durante a corrida, que piora progressivamente e limita a distância programada ou as velocidades mais elevadas. Alguns fatores de piora da dor são: as corridas em aclive ou declive, os aumento da comprimento das passadas, sentar-se por longos períodos com o joelho flexionado.

Podemos considerar alguns fatores intrínsecos predisponentes como: a tensão aumentada do TIT, o geno varo, o epicôndilo lateral proeminente, o pé cavo, a pronação aumentada do pé e tornozelo, a assimetria dos membros inferiores, a tensão aumentada dos flexores do quadril (iliopsoas), a tensão aumentada extensores do quadril (músculos glúteos), a tensão aumentada dos rotadores (piriforme), a fraqueza dos abdutores do quadril, o aumento dos picos de adução do quadril, o que significa a limitação da habilidade dos abdutores do quadril em contrabalançar excentricamente os adutores durante a corrida.

Dentre os fatores extrínsecos predisponentes, salienta-se a intensificação súbita dos treinamentos (velocidade, distância, frequência), as mudanças de superfície (superfícies moles para duras ou planas para inclinadas), corridas em terrenos irregulares e com declives.

tendoes_6O tratamento inicial visa aliviar a inflamação através da crioterapia e medicação anti-inflamatória. Durante a fase inicial do tratamento, o paciente deve nadar para manter a performance cardiovascular. Se um inchaço ou dor persistirem após esse início de tratamento, uma injeção local corticosteróide deve ser considerada.

Com a redução da inflamação, o paciente deve iniciar um regime de alongamento do trato íliotibial, bem como de rotadores do quadril e flexores do joelho e plantares do tornozelo. Assim que houver alivio da dor, um reforço programa de reforço muscular deve ser iniciado. Treino da força deve ser uma parte integrante do tratamento de qualquer atleta. Especial ênfase deve ser colocada no músculo glúteo médio. Este fortalecimento, inicialmente realizado pelo fisioterapeuta, deve ter continuidade pelo treinador. Não só para o tratamento, mas também na prevenção da recidiva da lesão.

A cirurgia é raramente indicada, mas o procedimento mais comum é a ressecção da porção posterior do trato íliotibial. Retira-se uma pequena peça triangular ou elíptica da parte posterior da estrutura cobrindo o epicôndilo lateral do fêmur.