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Luxação Patelar

INSTABILIDADE FÊMORO-PATELAR

Trata-se de uma instabilidade articular entre a patela e a tróclea (local do fêmur que articula com a patela). A instabilidade fêmoro-patelar ou rotuliana é uma das desordens mais freqüentes da articulação do joelho na adolescência. É mais frequente em meninas, na segunda década de vida e podem acometer um ou ambos os joelhos.

A dor é sentida na frente do joelho e acontece quando a patela está sendo comprimida contra o encaixe femoral. A característica mais marcante da patologia é a sensação de que o joelho vai deslocar a cada momento. Evidentemente, esse sintoma varia com o grau de instabilidade.

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A instabilidade fêmoropatelar pode depender de diversos fatores, dentre os quais a displasia da tróclea ou da rótula, a patela “ alta ”, o “genu valgo”, a hipotrofia muscular do vasto medial oblíquo e as alterações do ângulo Q do joelho.

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O valgismo e o ângulo Q aumentado, determinam na articulação fêmoropatelar uma característica anatômica que favorece uma força de sub-luxação externa, em extensão e/ou nos primeiros graus de flexão do joelho.

No joelho normal, a subluxação externa da rótula não ocorre devido à ação das estruturas musculo-ligamentares e capsulares internas, devido à força de estabilização da borda externa da tróclea femoral e devido à ausência de anormalidade anatômica na inserção distal do tendão patelar.

Na instabilidade patelar, este equilíbrio está sempre perdido, quer seja pela falta simplesmente de um, quer seja pela associação de mais de um destes fatores.
O grande desafio desta patologia é conseguir identificar e atuar especificamente nos fatores causais que geralmente estão relacionados com alterações anatômicas locais.

A instabilidade fêmoropatelar compreende vários quadros clínicos e anátomo-funcionais diferentes.

Aceita-se a existência três formas de instabilidade:

1. Instabilidade Patelar Maior -

 Trata-se da forma mais grave de instabilidade, felizmente pouco frequente e é representada pelas luxações permanentes (aquelas em que o paciente apresenta a patela luxada desde o seu nascimento) e habituais (aquelas em que a patela luxa a cada movimento de flexo-extensão do joelho).

2.Instabilidade Patelar Objetiva -

 Trata-se da forma de instabilidade na qual o doente sofreu pelo menos um episódio clássico de luxação da patela. Ela pode apresentar-se de duas maneiras. A luxação traumática, em que ocorreu apenas e ainda só um único episódio de luxação e a luxação recidivante em que já estiveram presentes vários episódios de luxação articular.

3.Instabilidade Patelar Potencial
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Trata-se da forma de instabilidade na qual jamais ocorreu um episódio de luxação. Nestas situações, as queixas do doente são relacionadas com a dor anterior e os episódios ocasionais de pseudo-bloqueios e ressaltos patelares. Aproximadamente 50% dos pacientes portadores desta forma de instabilidade vivem com um quadro clínico discreto até por volta da quarta ou quinta décadas de vida, começando só então a desenvolver sintomatologia e motivada pela artrose femoro-rotuliana externa. Essa é uma das principais queixas em um consultório de ortopedia.

O tratamento conservador é sempre a primeira escolha independente do grau de instabilidade. Este deverá concentrar-se no fortalecimento do vasto medial oblíquo (componente do quadríceps), alongamento das estruturas posteriores (ísquio-tibiais) e orientações quanto a execução de alguns gestos que podem levar a novos episódios de luxação patelar. Com o evoluir da patologia, o paciente consegue raciocinar e evitar as atividades que predisponham essa instabilidade.
Nos casos de Instabilidade Potencial, o tratamento conservador/fisioterápico é o mais indicado, mas nas demais Instabilidades ele terá apenas um papel adjuvante e de preparo pré-operatório.

O tratamento cirúrgico, neste tipo de patologia, talvez mais do que em qualquer outra do joelho, precisa respeitar a individualidade de cada paciente e diz-se, então, que o tratamento cirúrgico proposto funciona como um “menu a La carte”, corrigindo, um a um, cada defeito responsável pela instabilidade daquele paciente.

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