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Ligamento

ligamento_1A articulação do joelho possui 4 principais ligamentos que conectam o fêmur com a tíbia. Dois destes são chamados de colaterais (medial e lateral), justamente porque ficam dos lados, sendo os outros dois localizados dentro do joelho cruzando diagonalmente a articulação. Estes são chamados de ligamentos cruzados. O ligamento cruzado posterior (LCP) conecta-se a parte posterior da tíbia estabilizando o joelho para trás, enquanto o ligamento cruzado anterior (LCA) conecta-se a parte anterior da tíbia, estabilizando o joelho para frente.

O papel dos ligamentos é o de resistir à extensão excessiva, ao stress de valgo e varo, às rotações da tíbia ou do fêmur, ao deslocamento anterior ou posterior da tíbia ou do fêmur (gavetas), e aos movimentos combinados de rotação da tíbia com deslocamento antero-posterior.

Histologicamente, os ligamentos são similares aos tendões: são bandas de colágeno denso com pouco material celular. Eles são preparados para suportar tensões lineares. Em contraste com os tendões, os ligamentos possuem fibras não paralelas e uma quantidade de elastina superior, podendo suportar alongamentos maiores, sem causar danos à sua estrutura.

Lesão LCA

O Ligamento Cruzado Anterior (LCA) é o principal estabilizador anterior do joelho e sem dúvida o ligamento mais lesado em atividades esportivas. A lesão do LCA tira mais atletas do esporte que qualquer outra enfermidade.

O LCA rompe ao ser forçado além de sua capacidade elástica, em geral durante a prática desportiva, quando a pessoa interrompe bruscamente um movimento, ou roda repentinamente o corpo, ou muda de direção deixando o pé apoioado no chão. Com o golpe, o joelho estica esse ligamento além do limite, ocorrendo a ruptura. Saltar e aterrissar em um só pé, também pode causar essa lesão. No momento do trauma, o indivíduo sente e, muitas vezes, até ouve um estalo forte no joelho. A dor é grande e a articulação geralmente incha. Ao ficar de pé sobre a perna machucada, o joelho cede caracterizando a instabilidade.ligamento_2

Diante do diagnóstico de uma lesão no LCA, muitos fatores devem ser considerados pelo paciente e pelo especialista para se determinar o tratamento adequado. Estes fatores incluem idade, condições clínicas, nível de atividade, expectativas do paciente, presença de lesões associadas e intensidade da instabilidade apresentada. 
Um paciente jovem que deseja retornar à prática esportiva e apresenta sensações de falseio no joelho, com instabilidade evidente no exame clínico, será beneficiado amplamente com uma cirurgia.

Os índices de sucesso nas cirurgias de reconstrução de LCA têm mostrado que mais de 90% dos pacientes retornam aos esportes e atividades de vida diária sem sintomas de instabilidade no joelho.
A fisioterapia possui papel fundamental nas lesões do LCA, tanto na reabilitação do paciente operado, como no preparo para a cirurgia, restaurando o movimento completo do joelho, resgatando a força muscular, o equilíbrio e, finalmente, o treinamento de gestos específicos do esporte praticado no final da fase pós-operatória.

Lesão LCP e Lesões Multiligamentares

O ligamento cruzado posterior (LCP) tem como função principal impedir a translação posterior da tíbia em relação ao fêmur (conhecida como gaveta posterior). Também ajuda a prevenir a rotação externa da tíbia.

A lesão do LCP leva à instabilidade do joelho e hiperpressão fêmoro patelar, sendo evidente com a queda posterior da perna quando o joelho é dobrado a 90 graus.

A incidência de lesões do LCP é menor do que a do ligamento cruzado anterior (LCA). Isto se deve principalmente à maior espessura e resistência do LCP e ao mecanismo de trauma diferente das duas lesões. ligamento_3

A forma mais comum em que o LCP é lesado deve-se ao impacto direto na face anterior da tíbia, geralmente quando com o joelho flexionado em 90 graus. Isso pode ocorrer em trauma frontal direto, como trauma esportivo ou acidente automobilístico.

A indicação de tratamento, escolhendo entre conservador ou cirúrgico, deve ser feita caso a caso, na dependência do tipo de lesão (agudas ou crônicas, isoladas ou combinadas e intersticiais ou com avulsão de fragmento ósseo) e de fatores como idade, condições clínicas, nível de atividade, expectativas do paciente, presença de lesões associadas e intensidade da instabilidade apresentada.

A maioria das lesões ligamentares do joelho envolvem somente um dos ligamentos. Cada uma dessas lesões tem o seu tratamento individualizado e bem estabelecido. A associação destas lesões é relativamente rara. Contudo, não é raro termos a associação de uma lesão completa de um ligamento associado com uma pequena lesão de grau menor de outro ligamento. A mais comum associação é do LCA com LCM. Essa associação é comum pela semelhança do mecanismo de lesão (valgo e rotação externa). A maioria das lesões que denominamos periféricas (LCM) isoladas irão evoluir bem sem cirurgia. O uso de órteses desde cedo pode ser benéfico. Se há uma excessiva frouxidão, a cirurgia pode ser necessária.